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Somos o
Povo Tumbalalá

Somos os Filhos do Rio Opará

A Aldeia Missão Velha é um território de resistência e ressurgência cultural.

Nossa história não é contada por datas oficiais ou documentos antigos, mas pela memória dos mais velhos, pela vivência coletiva e pela relação profunda com a terra, o rio e a espiritualidade.

Somos um povo indígena que resistiu ao silenciamento, à violência e ao apagamento histórico. Mesmo quando não podíamos dizer que éramos indígenas, continuamos sendo. Nossa identidade permaneceu viva nos corpos, nos rituais, no trabalho coletivo e na transmissão oral dos saberes.

A dura verdade

A ALDEIA, O TERRITÓRIO E O TEMPO

Para o povo Tumbalalá, o tempo não é marcado por datas exatas, mas pela memória ancestral e pela continuidade da presença no território, anterior à invasão do Brasil. Sua história está profundamente ligada às margens do Rio São Francisco, que representa caminho, sustento, alimento e memória. Por ser fonte de vida, o rio também se tornou espaço de disputas, onde se concentraram episódios de violência, perseguição e massacres sofridos pelo povo indígena.

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Colonização e Silenciamento

Os relatos dos mais velhos contam que os portugueses chegaram pelo rio, utilizando missões religiosas como forma de aproximação e engano. O processo que se seguiu foi marcado por escravização, sequestro de mulheres, destruição de comunidades e morte.​A partir desse período, assumir publicamente a identidade indígena tornou-se perigoso. Muitas práticas culturais passaram a ser realizadas em silêncio, transmitidas de forma oral e protegidas do olhar externo.

Trabalho Coletivo e Sobrevivência

A vida do povo Tumbalalá sempre esteve ligada à agricultura, à pesca e ao trabalho coletivo. O cultivo da mandioca, da batata e do arroz garantiu a alimentação da comunidade por gerações.

A Casa de Farinha ocupa um lugar simbólico nessa história. Mais do que um espaço de produção, ela representa união, partilha e resistência cultural, permanecendo como símbolo da continuidade dos saberes tradicionais.

Pesca e o Rio

Antes da chegada da energia elétrica e da refrigeração...

a pesca estruturava a vida cotidiana. O peixe era alimento, sustento e moeda de troca com outras cidades da região.

Hoje, a pesca continua sendo uma fonte de renda e identidade, ao mesmo tempo em que a comunidade reflete sobre a importância de cuidar do rio e garantir sua preservação para as próximas gerações.

Espiritualidade, Resistência e Continuidade

O Toré, como expressão máxima da espiritualidade e da relação do povo Tumbalalá com o sagrado, sustentou a identidade e a resistência mesmo nos períodos de invisibilidade. Essa força espiritual acompanha a longa luta por reconhecimento e território, marcada por desafios, memória e perseverança. Assim, a história Tumbalalá permanece viva, em constante afirmação cultural, espiritual e política.

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